Graduada em Psicologia pela UNIVALI, possui Formação em Psicoterapia Breve Focal pela Universidade de Buenos Aires na Argentina. É especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise pela PUCPR. Atua na Área Clinica e Empresarial.
O ritmo alucinante da vida de hoje, a transitoriedade das coisas, das pessoas e dos valores, a valorização do bem material, o individualismo crescente, competitividade, falta de solidariedade e a premência do tempo e do sucesso estão fazendo surgir novos tipos de doenças agravadas, desencadeadas ou determinadas pelas sobrecargas emocionais.
A doença coronariana, produtora do Infarto do Miocárdio, por exemplo, tem sido uma das patologias mais estudadas atualmente, tendo em vista a altíssima incidência em que acomete pessoas dos países mais civilizados. A ciência tem demonstrado uma grande variedade de fatores causais envolvidos no desenvolvimento dessas doenças, digamos, psicossomáticas. Mas as emoções não acometem apenas o sistema cardiocirculatório. Cada vez mais se constatam órgãos e sistemas participando das invfluências das emoções.
Alguns estudos consideram a participação de fatores constitucionais um dos elementos mais importantes no desenvolvimento da doença, outros enfatizam a importância prevalente dos fatores ambientais, enfim, quanto a ordem de importância desses fatores não há ainda um consenso.
Apesar de todos esses estudos, na década de 1980, alguns estudos (Eliot R S - Stress and cardiovascular disease: mechanisms and measurement - Ann. Clin. Res. no. 19, pp 88-95, 1987) constatavam que até cerca da metade dos coronarianos não apresentavam os clássicos fatores de risco ambientais atribuídos ao desenvolvimento da doença, tais como a vida sedentária, tabagismo, antecedentes familiares, etc. Assim sendo, quais seriam os mecanismos responsáveis pelo desenvolvimento da doença nesses pacientes? Seriam emocionais?
Em julho de 1999, realizou-se o Congresso da American Academy of Dermatology, em São Francisco (Estados Unidos). Finlay, da Universidade de Wales (Escócia), fez a seguinte pergunta: o que é pior: a psoríase, diabetes, a asma ou a bronquite, nos pacientes que já têm a psoríase e, também, uma dessas outras patologias? Concluiu que o pior é a psoríase, e o trabalho foi publicado no Brit.J.Dermatology (1995; 132: 236 - 244).
Daí surgiu a idéia de se realizar um questionário, que avaliasse a qualidade de vida do paciente com doença de pele, informando as restrições que este sofre no trabalho social, lazer, vida sexual etc. Em decorrência do questionário criou-se o Dermatology Life Quality Index (DLQI), desenvolvido por Finlay e Khan, que já existe em 12 línguas e corresponde à 10 perguntas que levam 2 minutos para serem respondidas. A Dermatite Atópica, Psoríase, Eczema e Acne, são as doenças que mais afetam a vida dos pacientes.
Dermatitis Artefata ou por Auto-Mutilação são lesões de pacientes com distúrbios psiquiátricos que se auto-infligem (geralmente portadores de Transtornos Obsessivos-Compulsivos e Esquizofrenia), assim como a Tricotilomania, que é o hábito compulsivo de arrancar cabelos, pelos e lavar as mãos obsessivamente.
O estresse, a ansiedade exacerbam vários tipos de doenças e a depressão, também. Esses fatos, sugeriram durante o Congresso, a necessidade de se criar uma subespecialidade, para combater essas doenças psicossomáticas, que se manifestam na pele. Foram feitas referências ao primogide e aos anti-alérgicos e anti-pruriginosos.
Os Transtornos Obsessivos-Compulsivos, afetam 2 a 3% da população e 14% dos pacientes que se apresentam com coceiras no consultório do dermatologista. Esse tema foi apresentado aos especialistas, através de uma técnica de psicodrama, insistindo no fato de que os dermatologistas dão pouca atenção à esses aspectos psicossomáticos da especialidade. Um dos expositores, sugeriu que o especialista encarasse com bom humor essas histórias, pois isso melhora a relação médico/paciente (JAMA 4/6/1997; 227:1660- 63).
22/08/2008 [11:19]
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