Graduada em Psicologia pela UNIVALI, possui Formação em Psicoterapia Breve Focal pela Universidade de Buenos Aires na Argentina. É especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise pela PUCPR. Atua na Área Clinica e Empresarial.
Seu filho anda inventando muitas histórias ou tentando esconder coisas de você? Entenda porque ele age assim e o que você pode fazer para acabar com as mentiras
Ninguém escapa de contar uma mentirinha de vez em quando. Nem mesmo as crianças, por mais ingênuas ou inocentes que possam parecer aos olhos dos pais.
As mentiras que os pequenos contam têm diversas origens, como explica a psicóloga infanto-juvenil e psicopedagoga Karin Bruckheimer. Mas durante os primeiros anos de vida, a mentira costuma acontecer porque a criança ainda não consegue diferenciar muito bem a fantasia da realidade.
Narizinho no lugar Saiba como descobrir e como reagir diante de uma mentira contada pelo seu filho
- Diante de uma história "cabeluda", para descobrir se os filhos estão de fato falando a verdade ou se estão dando asas à imaginação, a melhor reação é ouvir e não acreditar em tudo, nem duvidar completamente. "É preciso cautela para filtrar a realidade, tarefa que requer conversa paciente e boa dose de habilidade. Ele pode dizer que apanhou da professora no colégio, mas talvez tenha apenas ficado impressionada como uma bronca", diz Karin Bruckheimer. - Se perceber que uma história não está bem contada, deixe passar algum tempo e peça para a criança a repeti-la. Faça perguntas sobre o que aconteceu. "Se for mentira, é bem provável que ela acabe se contradizendo", lembra Alessandra Fendrich. - Quando constatada a falta de veracidade, não grite, não castigue, não chame a criança de mentirosa. Este comportamento poderá levá-la a contar outras mentiras para evitar a punição. - Mostre a ela, por meio de exemplos reais, as conseqüências negativas da mentira, que é, entre outras coisas, a possibilidade de prejudicar a si mesmo e aos outros. - Observe se as mentiras estão ligadas a alguém, à escola ou a outro lugar específico. Isto pode revelar uma angústia pela qual a criança está passando. "Para o teórico Jean Piaget, a criança pequena não mente intencionalmente. Na verdade, ela altera a realidade em função dos seus desejos e fantasias. Mente como brincadeira, não sentindo a necessidade de dizer a verdade. Ela só percebe que está fazendo algo errado porque os pais a repreendem como se ela estivesse pronunciando algum palavrão ou uma blasfêmia. A mentira é exterior à consciência da criança", argumenta a especialista.
A partir dos 6 ou 7 anos, o senso de verdade da criança vai sendo treinado, ela começa a perceber o significado e a função da mentira e, portanto, pode usar deste artifício para sair de uma situação difícil (uma bronca ou castigo), por vergonha ou receio de decepcionar alguém, para se autovalorizar (conta que tirou uma nota boa ou que é dona de algo de valor), para testar e ver a reação do adulto frente alguma situação, por desejo intenso de possuir alguma coisa ou ainda por ciúme. "Quando ela está passando por um momento difícil como a separação dos pais, a chegada de um irmãozinho, ou um novo casamento do pai ou da mãe, é comum surgir o que se chama de mentira-calúnia. Na verdade, o objetivo desta mentira é fazer a vida voltar, segundo seu ponto de vista, à normalidade", explica Bruckheimer.
Cuidados A tendência à mentira é natural, justamente porque a criança, do ponto de vista moral, não vê nada de errado em alterar a realidade conforme os seus desejos. Não há motivo para os pais ficarem alarmados se o filho inventa a existência de um amigo imaginário ou se contou aos colegas que viajou com a família durante o fim de semana mesmo que tenha ficado em casa. Mas é importante identificar e entender os motivos que o levaram a faltar com a verdade. Histórias como as citadas acima podem ser sinal de que ele está se sentindo sozinho ou que esteja precisando de mais tempo com os pais.
"Se após os 7 anos, você perceber que o seu filho está mentindo muito, esteja atento, pois as suas invenções podem se transformar em uma bola de neve que pode fazê-lo sofrer e também causar conseqüências sérias a outras pessoas. A mentira pode se tornar um hábito, já que aprendemos desde cedo que existem vantagens em contá-la. Aprende-se que ela pode facilitar a integração social e que as pessoas com inata dificuldade de mentir são tidas como ingênuas e sem 'jogo de cintura'", aponta Karin Bruckheimer.
A mentira só se torna patológica se a criança apresentar predisposição a esse tipo de transtorno de personalidade. Mas existem mentiras produzidas por neuroses, como as que ocorrem na síndrome de Munchhäusen, em que a criança finge doenças para chamar a atenção.
"Se passados os 10 anos, o amigo imaginário de seu filho ainda não desapareceu, mesmo com o convívio dele com outras crianças, ou se ele reclama de dores e doenças que não existem e chora sem motivo, é hora de procurar ajuda de um profissional", aconselha a psicóloga Karin Bruckheimer.
O papel dos pais Você já pediu para o seu filho atender o telefone e dizer que você está no banho para não ter de falar com alguém? Ou quando está de cara amarrada, diz a ele que está tudo bem, só para não ter de dar explicações? Por mais que essas mentirinhas possam parecer inofensivas, o seu exemplo pode reforçar a idéia de que mentir é aceitável e o pior, necessário. "Os pais muitas vezes nem percebem, mas com freqüência apóiam e até incentivam as mentiras das crianças. Ou porque eles mesmos contam pequenas mentiras em casa para fugir dos problemas ou acham as desculpas e as histórias que os filhos inventam engraçadas e criativas", lembra a psicóloga Alessandra Fendrich. Além do exemplo dos pais, a atitude de parentes próximos, amigos, irmãos mais velhos e até babás também precisa ser observada, recomenda a profissional.
10/06/2008 [15:52]
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