Graduada em Administração, pelo Centro Universitário de Maringá - CESUMAR. Atuando desde Dezembro de 2007 como gerente financeiro. Escreve artigos focados em várias áreas da Administração.
Efeitos da crise financeira internacional em grandes empresas
Este final de trimestre de 2009, fechou com a divulgação na mídia de grandes e empresas fecharem 2008 com prejuizo, ou seja, a crise afetou diretamente a Aracruz, Embraer e a Sadia. Neste artigo será feito um apanhado geral dos acontecimentos.
Descrever um pouco sobre cada caso, primeiro da Embraer, empresa Brasileira de Aeronáutica, uma das maiores organizações aeroespaciais do mundo, posição alcançada graças à busca permanente e determinada da plena satisfação de seus clientes, segundo informações da descrição da empresa, no próprio site da organização. Ela apresentou no quarto trimestre de 2008 um prejuízo líquido de R$ 40,6 milhões, contra um lucro líquido de R$ 399,7 milhões no mesmo trimestre de 2007. No ano passado como um todo, a empresa teve um lucro de R$ 428,8 milhões, contra R$ 1185 bilhão em 2007, uma queda de 63,8%. Logo a receita líquida no quarto trimestre de 2008 foi de R$ 4,139 bilhões, contra R$ 3,298,5 bilhões no mesmo período do ano anterior, um crescimento de 25,5%. Em 2008 como um todo, a receita líquida ficou em R$ 11,746 bilhões, 17,5% acima dos R$ 9,993 bilhões de 2007.
Com estes números só decaindo, a primeira atitude da empresa foi demitir em torno de 4.200 no mês de fevereiro, depois nos deparamos com noticiários e comentários que a crise financeira internacional, não iria afetar diretamente o Brasil,só neste apanhado geral temos três casos de empresas de renomes que fecharam o ano praticamente no vermelho.
As despesas operacionais somaram R$ 396,6 milhões no último trimestre de 2008, representando um crescimento de 17,7% em relação aos R$ 336,9 milhões apurados no quarto trimestre do ano anterior. Em 2008, as despesas operacionais aumentaram 16,1%, totalizando R$ 1.294 bilhão, ante R$ 1114 bilhão em 2007. No quarto trimestre do ano passado foram entregues 59 aviões, contra 61 no mesmo período um ano antes. Em 2008, foram entregues 204 jatos, contra 169 entregues em 2007, o que representa a maior quantidade de aeronaves entregues em um ano pela empresa.
Segundo exemplo típico é a grandiosa Sadia, líder nacional em todas as atividades em que opera, a Sadia também é uma das maiores empresas de alimentos da América Latina e uma das maiores exportadoras do País. Nem por isso teu fechamento anual foi um dos melhores, ela registrou na mídia que foi o primeiro prejuízo líquido em 64 anos de sua história, com perdas de R$ 2,5 bilhões, em função de suas operações cambiais. Em 2007, a companhia havia registrado lucro líquido de R$ 768.348 milhões. A Sadia informou que os derivativos foram contabilizados pelo seu valor justo e os potenciais ganhos e perdas foram reconhecidos no resultado de 2008, mesmo antes de suas realizações.
Nos últimos três meses do ano, o prejuízo foi de R$ 2.042 bilhões. Se a empresa não tivesse que antecipar em seu resultado de 2008 perdas que deverá registrar ao longo de 2009, o prejuízo seria de R$ 468 milhões. E apesar dos prejuízos da empresa, seu desempenho operacional foi positivo. A empresa terminou 2008 como a maior empresa brasileira exportadora de proteína animal e a maior produtora do setor de carnes no Brasil.
Sua receita bruta da companhia foi de R$ 12,2 bilhões em 2008, expansão de 23% em relação ao ano anterior. A receita líquida aumentou 23,2%, para R$ 10,7 bilhões. O volume total de vendas foi de 2,3 milhões de toneladas, 8,3% acima do registrado em 2007. E a boa noticia nisso tudo que ela fechou o ano com investimentos da ordem de R$ 1,8 bilhão, a maior cifra de sua história, o que proporcionará à companhia capacidade produtiva suficiente para sustentar um crescimento de até dois anos sem a necessidade de novos aportes.
Outro exemplo primordial é o caso da Aracruz, empresa brasileira, líder mundial na produção de celulose branqueada de eucalipto. Responde por 24% da oferta global do produto, destinado à fabricação de papéis de imprimir e escrever, papéis sanitários e papéis especiais de alto valor agregado. A mesma amargou prejuízo de R$ 2.981 bilhões no trimestre final de 2008, sob impacto da desvalorização do câmbio em suas despesas financeiras. No ano de 2007, em idêntico período, a empresa havia apurado lucro de R$ 187,3 milhões.
A receita líquida totalizou R$ 3,466 bilhão em 2008, em um decréscimo de 5% sobre o resultado apurado em 2007. O Ebitda, somou R$ 1,44 bilhão, número 14% abaixo do apurado em 2007. Os ganhos da Aracruz foram afetados principalmente pelo lado financeiro: as despesas financeiras atingiram R$ 5,683 bilhões em 2008. No exercício anterior, as receitas financeiras superavam as despesas em R$ 361 milhões.
A Aracruz não foi a única empresa que teve prejuízo em operações com derivativos cambiais após a desvalorização do real ante o dólar ocorrida nos últimos dois meses. Além dela, Sadia, Votorantim, Embraer e Braskem também divulgaram perdas. Em nova especulação informou que apesar do prejuízo, tem força para investir na expanão da fabrica de Guaíba a partir 2011, o empreendimento, portanto, já começou a ser tocado. Até agora, foram adquiridos 120 mil hectares de área, que servirão para o abastecimento da unidade e também para a formação de florestas. Depois da compra do terreno, o projeto acabou sendo suspenso. Agora, a previsão é de que seja retomado em 2011, o que será definido apenas depois de concluído o processo de reestruturação da companhia.
03/04/2009 [13:50]
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